SAÚDE MENTAL


1. Introdução
2. A importância de cuidar da saúde mental
2.1. Formas de prejudicar a saúde mental
2.2. Como cuidar da saúde mental
3. Principais doenças mentais
4. Mitos e verdades sobre a saúde mental
5. Saúde mental na pandemia de COVID-19
6. Linhas de apoio psicológico

O conceito de saúde mental é utilizado para descrever um nível de qualidade de vida cognitiva ou emocional ou a ausência de uma doença mental.
A saúde mental é definida como um estado de bem-estar em que a pessoa:
- consegue enfrentar as dificuldades normais da vida;
- está ciente de suas próprias habilidades;
- consegue trabalhar de forma produtiva;
- é capaz de contribuir para sua comunidade.
Os problemas mentais são tão frequentes que se estima que em cada 100 pessoas 30 sofram, ou venham a sofrer dos mesmos, num ou noutro momento da vida, de problemas de saúde mental e que cerca de 12 tenham uma doença mental grave.



A saúde mental influencia o indivíduo como um todo, sendo que a falta da mesma pode afetar o nosso organismo, seja de forma leve ou de forma grave, podendo, inclusive, causar sintomas físicos.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), saúde não é apenas a ausência de doenças, é um completo estado de bem-estar físico, mental e social. Ou seja, assim como a física, a saúde mental é essencial para a manutenção das funções orgânicas e para que o indivíduo tenha a capacidade necessária para executar as suas habilidades pessoais e profissionais.
Concluindo, uma boa saúde mental proporciona ao indivíduo a possibilidade do mesmo exercer os seus direitos sociais e de cidadania, assegurando as condições de interação social para uma convivência familiar mais segura e pacífica.
FORMAS DE PREJUDICAR A SAÚDE MENTAL
- Preocupar-se em excesso com o futuro.
- Pensar em demasia no passado.
- Omitir as suas emoções.
- Não gerenciar o seu tempo.
- Fazer sempre várias tarefas ao mesmo tempo.
COMO CUIDAR DA SAÚDE MENTAL
- Mantenha-se intelectual e fisicamente ativo.
- Separe um tempo para fazer algo que goste, como, por exemplo, ver um filme/série, praticar exercício físico, ler um livro, tocar um instrumento, entre outros.
- Faça e aprecie uma boa refeição.
- Organize o seu espaço.
- Anote coisas pelas quais você é grato.
- Durma mais.
- Faça algo criativo.


A ansiedade consiste numa emoção normal, experienciada pelas pessoas no seu quotidiano, e caraterizada por sentimentos de tensão, preocupação, insegurança, normalmente acompanhados por alterações físicas como o aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca, sudação, secura da boca, tremores e tonturas.
Os transtornos de ansiedade são muito comuns, presentes em cerca de 1 em cada 4 pessoas que vão ao médico.
SINTOMAS FÍSICOS
SINTOMAS PSICOLÓGICOS
Estes sintomas são muito desagradáveis e costumam ser provocados pela antecipação de um perigo ou algo desconhecido.
CAUSAS E FATORES DE RISCO
A ansiedade depende da importância que cada indivíduo dá a uma determinada situação, logo pode ser provocada por qualquer motivo.
ALGUMAS DAS CAUSAS MAIS FREQUENTES DE ANSIEDADE:
- Uso excessivo de redes sociais
- ANSIEDADE AGUDA E STRESS: casamento, insegurança do primeiro dia de trabalho, problemas familiares, compromissos financeiros, entre outros.- É de extrema importância identificar a causa, para conseguir tratar, visto que a ansiedade aguda pode se tornar em ansiedade crónica.
ALGUNS DOS FATORES DE RISCO MAIS FREQUENTES DE ANSIEDADE:
- Questões genéticas:- O transtorno de ansiedade tem mais probabilidade de aparecer em pessoas que possuem familiares com o problema. Contudo, é impossível determinar, visto que algumas desenvolvem o quadro e outras não.
- Questões comportamentais: - Pessoas com comportamento negativo, com maior dificuldade em lidar com o stresse, naturalmente ansiosas ou tímidas têm maior probabilidade de desenvolver distúrbios de ansiedade.
- Questões externas:- Eventos traumáticos (por exemplo, doenças graves, violência, acúmulo de stress familiar ou ambiental, entre outros) que ocorreram na infância, na adolescência ou na fase adulta podem provocar quadros de ansiedade.
- Condições médicas:- Efeitos colaterais de alguns remédios, sofrer de hipotireoidismo (que torna a resposta do corpo mais excitável) e de algumas doenças crónicas também podem provocar distúrbios de ansiedade.
- Abuso de álcool e outras drogas
CONSEQUÊNCIAS
Se um indivíduo que sofre de transtorno de ansiedade não se tratar adequadamente, pode comprometer seriamente a sua qualidade de vida e o seu bem-estar e de todos que o rodeiam.
Sendo assim, quadros de transtorno de ansiedade sem tratamento podem levar a outras complicações, tais como:
- abuso de álcool e outras drogas - de acordo com um estudo que analisou 1 300 pacientes com dependência química, cerca de metade apresentaram doenças psíquicas associadas, como bipolaridade, depressão e transtorno obsessivo compulsivo;
COMO CONTROLAR A ANSIEDADE
- Tomar remédios indicados pelo médico que ajudam a diminuir alguns dos sintomas, como ansiolíticos.
- Tomar remédios naturais, tais como:
- sumo de maracujá - possui propriedades calmantes e ansiolíticas;
- chá de camomila - tem uma ação calmante;
- alface - ajuda a relaxar os músculos e o sistema nervoso. - Usar plantas medicinais com efeito calmante.
- Realização de psicoterapia com o psicólogo e acompanhamento com o psiquiatra.
- Realização de atividade física e investimento em atividades de lazer (por exemplo, meditação, dança. ioga).
- Tomar um banho morno para relaxar o corpo.
- Receber uma massagem relaxante.
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TIPOS DE ANSIEDADE
TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA (TAG)
O transtorno de ansiedade generalizada é permanente e de alta intensidade e costuma interferir na realização das atividades do dia a dia.
Os doentes que sofrem deste transtorno preocupam-se excessivamente com situações rotineiras e costumam analisá-las minuciosamente.
SINTOMAS FÍSICOS:
SINTOMAS PSICOLÓGICOS:
TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO (TOC)
O transtorno obsessivo compulsivo é caracterizado por pensamentos obsessivos e medos irracionais que levam a atitudes compulsiva, ou seja, pela presença de 2 tipos de comportamentos:
- Obsessões - pensamento impróprios ou desagradáveis, recorrentes e persistentes, que surgem de forma indesejada, que provocam ansiedade e sofrimento;
- Compulsões - comportamentos ou atos mentais repetitivos que não conseguem ser evitados, uma vez que são não só uma maneira de reduzir a ansiedade como a pessoa também acredita que algo desagradável pode acontecer se não fizer. Quem sofre deste transtorno repete atividades quotidianas até à exaustão, como, por exemplo, trancar a porta antes de sair ou fechar a chave do gás, causando sofrimento e interferindo na vida diária. Para além disso, por vezes, também tem a necessidade de organizar objetos conforme uma lógica própria ou apresente uma preocupação incomum com a contaminação por bactérias e germes.
SINAIS E SINTOMAS:
Estes sintomas costumam surgir gradualmente e podem variar ao longo do tempo, o que provoca uma queda brusca na qualidade de vida.
FATORES DE RISCO:
- Questões genéticas
- Fatores psicológicos (como aprendizagens erradas e crenças distorcidas)
- Excesso de ansiedade e/ou stress
- Tipo de educação recebida
TRATAMENTO:
- O TOC não tem cura, mas, na maioria dos casos, é possível controlar de forma eficaz os sintomas através de tratamento, que consiste em acompanhamento psiquiátrico e psicológico, com uso de remédios antidepressivos e com terapia cognitivo-comportamental.
FOBIA SOCIAL / TRANSTORNO DE ANSIEDADE SOCIAL
O transtorno de ansiedade social é caracterizado por altos níveis de preocupação e medo com situações sociais habituais.
CASOS LEVES:
- O indivíduo que sofre de fobia social evita situações em que possa ser observado a realizar tarefas comuns (almoçar, preencher um documento, mandar mensagens pelo telemóvel, entre outras).
CASOS GRAVES:
- O indivíduo evita completamente interações sociais (encontros amorosos, festas, entrevistas de emprego, entre outras), uma vez que sente vergonha ou medo de ser julgado ou visto de uma maneira negativa pelos outros.
SINTOMAS FÍSICOS:
SINTOMAS PSICOLÓGICOS:
CAUSAS:
- Experiência traumatizante anterior em público
- Medo da exposição social
- Baixa autoestima
- Rejeição
- Crítica
- Pais muito protetores
- Poucas oportunidades sociais
CONSEQUÊNCIAS:
- Prejuízos severos nas relações pessoais e profissionais
- Isolamento social total
- Insegurança
- Dúvida das próprias capacidades de desempenhar qualquer função em público
TRATAMENTO:
- O tratamento para a fobia social, orientado por um psicólogo, inicia-se com terapia cognitivo-comportamental. Nesta terapia, o indivíduo aprende a controlar os sintomas da ansiedade, a desafiar os pensamentos que o fazem ficar ansioso, substituindo-os por pensamentos adequados e positivos, a enfrentar situações da vida real para superar os seus medos e a praticar as suas habilidades sociais em grupo.
- Para além disso, o psicólogo pode encaminhar o paciente para um psiquiatra, onde podem ser receitados remédios ansiolíticos ou antidepressivos, que vão ajudar a obter melhores resultados.
SÍNDROME DO PÂNICO
A síndrome do pânico é caracterizada por crises de ansiedade intensas, que causam uma intensa sensação de medo e mal-estar generalizado.
Estas crises aparecem, geralmente, de maneira súbita e atingem a sua intensidade máxima após aproximadamente 5 minutos, tendo uma duração média de 10 minutos.
Este transtorno é mais frequente em mulheres do que em homens, principalmente na juventude, já que, na maioria dos casos, a primeira crise aparece entre os 15 e 20 anos e aparece sem nenhum motivo aparente. Estas crises irão reaparecer ao longo da vida de forma aleatória.
SINTOMAS FÍSICOS DAS CRISES:
CONSEQUÊNCIA:
- O indivíduo tem a sensação de que está prestes a morrer vítima de um ataque cardíaco.
SINTOMAS PSICOLÓGICOS DAS CRISES:
CONSEQUÊNCIAS:
- Ansiedade antecipatória - surge devido à impossibilidade de se prever quando um novo ataque vai acontecer e à possibilidade deste ocorrer num lugar em que o indivíduo não pode se mover (por exemplo, dentro de um elevador ou durante uma viagem de avião).
- Agorafobia - surge quando o indivíduo começa a evitar esses lugares.
CAUSAS:
- Não há uma causa definida para a síndrome do pânico. No entanto, parece ser uma doença hereditária que afeta principalmente mulheres e surge frequentemente no final da adolescência e no início da vida adulta.
- É comum que algumas pessoas venham a ter um ataque de pânico na vida, porém não voltam a ter outro nem desenvolvem a síndrome.
TRATAMENTO:
- O tratamento é feito com o uso de medicamentos antidepressivos e que diminuem a ansiedade (com orientação médica).
- O paciente também precisa de fazer psicoterapia a fim de aprender diferentes maneiras sobre como pensar e reagir em situações de perigo, ajudando a reduzir a ansiedade e o medo, prevenindo, desta forma, um novo ataque de pânico.
- A síndrome do pânico é curável, mas só alguns pacientes conseguem recuperar totalmente ou controlar com facilidade os sintomas da doença.
AGORAFOBIA
A agorafobia é caracterizada por medo face a situações ou lugares que proporcionam ao indivíduo a sensação de insegurança, impotência, constrangimento e/ou aprisionamento.
SINTOMAS FÍSICOS
(quando o indivíduo se encontra em ambientes desconhecidos ou públicos):
SINTOMAS PSICOLÓGICOS
(quando o indivíduo se encontra em ambientes desconhecidos ou públicos):
CAUSAS:
- Ataques de pânico - estas crises levam a que o indivíduo evite lugares e situações que causam esse tipo de sentimentos a fim de evitar novos ataques.
CONSEQUÊNCIAS:
- Desenvolvimento de limitações - vão somente ao trabalho ou a casa de algum familiar se puderem percorrer um determinado caminho ou andarem num determinado transporte.
- Evitamento de sair de casa, ficando aprisionado na sua habitação e impedindo de realizar as suas atividades pessoais e profissionais.
TIPOS DE AGORAFOBIA DE ACORDO COM O GRAU DOS SINTOMAS:
- dirigir longas distâncias;
- ir ao cinema, apesar de sentar no corredor.
O indivíduo evita:
- lugares muito cheios, mas consegue frequentar shoppings, por exemplo.
- ir para lugares mais próximos de casa acompanhado por outra pessoa.
O indivíduo evita:
- usar transportes públicos.
- sair de casa, já que sente-se ansioso de ir a algum local.
TRATAMENTO:
- O psicólogo ou o psiquiatra irá avaliar o que leva o indivíduo a manifestar os sintomas, a frequência com que ocorrem e o impacto que têm na sua vida. Deste modo, irá ajudar o paciente a enfrentar as situações que lhe causam esta ansiedade, fazendo com que a pessoa se sinta mais segura e confiante.
- O profissional poderá recomendar ainda a prática de atividades relaxantes (por exemplo, ioga ou meditação).
- Se os sintomas apresentarem um grau muito elevado, o psiquiatra poderá indicar o uso de medicamentos para controlar os sintomas e o paciente se sentir mais relaxado diante determinadas situações.
MUTISMO SELETIVO
O mutismo seletivo é caracterizado pela incapacidade de se expressar em determinadas situações (como, por exemplo, na escola ou diante de familiares), mesmo que seja totalmente capaz de fazê-lo em outras.
Este transtorno é mais frequente em crianças.
CARACTERÍSTICAS:
POSSÍVEIS CAUSAS (não há uma em específico):
- Experiências negativas ou traumas (como entrar numa escola nova, viver num ambiente familiar muito protetor, ter pais muito autoritários, entre outros)
- Fatores genéticos (uma vez que os pais podem possuir transtornos emocionais e/ou de comportamento ou pode estar relacionado com traços de personalidade da criança, como, por exemplo, preocupação excessiva, medo, vergonha e apego)
- Início da vida escolar
- Mudança de cidade ou de país (devido ao choque cultural)
CONSEQUÊNCIAS:
- Prejuízos à vida social - os indivíduos não participam de atividades nem convivem em determinados grupos.
Obs.: As crianças que sofrem deste transtorno não têm nenhum problema de aprendizagem nem de desenvolvimento cognitivo.
TRATAMENTO:
- O tratamento para este transtorno é caracterizado por sessões de psicoterapia, em que o psicólogo utiliza estratégias que estimulem a comunicação da criança e explora técnicas que avaliam o seu comportamento. Desta maneira, a criança vai conseguir sentir-se mais confortável no ambiente, melhorando a sua comunicação.
- Em alguns casos, a criança pode ser acompanhada por um psiquiatra infantil ou realizar sessões com a família.
- O psicólogo também orienta os pais para que o tratamento também seja efetuado em casa.
- Em casos mais graves, o psiquiatra pode indicar o uso de inibidores seletivos da recaptação de serotonina, os ISRS, que atuam a nível cerebral.
FOBIAS ESPECÍFICAS
As fobias consistem num medo irracional e intenso de algo que muitas vezes traz um perigo leve ou inexistente.
SINTOMAS FÍSICOS:
SINTOMAS PSICOLÓGICOS:
TIPOS DE FOBIAS:
Medos relacionados ao ambiente natural

- Alturas
- Trovão
- Escuridão
- ...
Medos relacionados a animais
- Aranhas
- Cães
- Insetos
- ...
Medos relacionados a sangue, ferimentos ou problemas médicos

- Injeções
- Ossos partidos
- Quedas
- ...
Medos relacionados a situações específicas

- Voar
- Andar de elevador
- Conduzir
- ...
Outro

- Asfixia
- Barulhos altos
- Afogamento
- ...
LISTA DE FOBIAS:
- Acrofobia: medo das alturas
- Aerofobia: medo de voar
- Amaxofobia: medo de conduzir
- Aracnofobia: medo de aranhas
- Astrofobia: medo de trovões e relâmpagos
- Autofobia: medo de ficar sozinho
- Claustrofobia: medo de espaços fechados/confinados
- Hemofobia: medo do sangue
- Hidrofobia: medo da água
- Ofidiofobia: medo de cobras
- Tripofobia: medo de padrões geométricos
- Zoofobia: medo de animais
TRATAMENTO:
- O tratamento para as fobias consiste numa combinação de terapia e de medicamentos. O seu objetivo é melhorar a qualidade de vida do paciente, de modo a que este não seja prejudicado ou afligido pelo seu medo.
- O método de tratamento para fobias específicas mais eficaz é a terapia de exposição (um tipo de psicoterapia), onde o psicólogo e o paciente trabalham para que o indivíduo que sofre deste transtorno aprenda a se dessensibilizar ao objeto ou à situação que lhe provocam medo. Este tratamento serve para que o paciente aprenda a controlar as suas reações, uma vez que ajuda a mudar os pensamentos e sentimentos sobre o objeto ou situação.
- O psiquiatra poderá ainda recomendar certos medicamentos redutores de ansiedade (como benzodiazepínicos e beta-bloqueadores) que podem ajudar o paciente na terapia de exposição, visto que tornam esta terapia menos angustiante.
STRESS PÓS-TRAUMÁTICO
O stress pós-traumático é caracterizado pela recordação de um evento traumático de grande impacto (por exemplo, abuso sexual, sequestro, assalto, catástrofe natural, perda repentina, acidente, ato terrorista, guerra, entre outros).
SINTOMAS DE VIVENCIAMENTO
(podem surgir após um sentimento específico ou após observar um objeto ou ouvir alguma palavra que esteve relacionada com a situação traumática):
SINTOMAS DE AGITAÇÃO
(muito frequentes):
SINTOMAS DE EVITAMENTO
(provocam alterações na rotina diária do indivíduo, que deixa de fazer atividades que fazia anteriormente):
SINTOMAS DE HUMOR ALTERADO
(são bastante comuns, mas desaparecem após algumas semanas, ou seja, são somente preocupante quando pioram ao longo do tempo):
TRATAMENTO:
- O tratamento deste quadro de ansiedade deve ser sempre orientado e avaliado por um psicólogo ou psiquiatra, visto que é constantemente adaptado para cada indivíduo e para cada situação traumática.
- Geralmente, o tratamento consiste em sessões de psicoterapia, nas quais o psicólogo ajuda a descobrir e superar os medos desenvolvidos durante a situação traumática, através de conversas e atividades didáticas.
- Em casos mais graves, pode-se recorrer a um psiquiatra para iniciar o uso de medicamentos antidepressivos e/ou ansiolíticos, que ajudam a aliviar mais rápido os sintomas de raiva, medo e ansiedade durante o tratamento, de modo a facilitar a psicoterapia.
ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO
A ansiedade de separação é caracterizada pela ansiedade intensa e inadequada ao nível de desenvolvimento da criança quando separada dos seus pais ou familiares próximos.
Os quadros deste tipo de ansiedade são mais comuns em crianças de 8 a 24 meses e persistem por um período superior a 4 semanas.
SINAIS:
- Resistência para realizar atividades quotidianas (por exemplo, ir à escola, visitar colegas e outros familiares dos quais gostam, entre outras)
- Rejeição escolar ou pré-escolar
- Cenas dramáticas durante o momento da separação
- A criança recusa-se a dormir sozinha e insiste em ficar no mesmo quarto da pessoa à qual se sente mais ligada
CONSEQUÊNCIAS:
- Prejuízos consideráveis ao bem-estar da criança
TRATAMENTO:
- O tratamento deste quadro de ansiedade consiste em terapia comportamental em que separações regulares são sistematicamente reforçadas. Estas separações devem se breves. Para além da criança, os pais vão ser treinados para reagir aos protestos habituais.
- Se a criança criar uma ligação no ambiente escolar poderá ajudar o tratamento.
- Em casos muito graves, as crianças poderão ter que tomar um ansiolítico como um inibidor seletivo da recaptação de serotonina, os ISRS.
- Após feriados e intervalos escolares, crianças tratadas poderão ter recaídas. Por isso, é importante planear separações regulares durante estes períodos, de maneira que a criança se habitue a ficar longe dos pais/cuidadores.

A depressão é definida como um estado de humor deprimido que persiste por mais de 2 semanas, com tristeza e perda de interessa ou de prazer nas atividades.
COMO DIFERENCIAR A TRISTEZA DA DEPRESSÃO
SINTOMAS FÍSICOS
SINTOMAS PSICOLÓGICOS
CAUSAS E FATORES DE RISCO
É desconhecida a causa exata da depressão, contudo existem diversos fatores que podem aumentar a probabilidade de um indivíduo desenvolver depressão.
Alguns dos fatores de risco são:
- Hereditariedade- Os fatores genéticos contribuem para a depressão em cerca de metade das pessoas que têm, uma vez que podem afetar o funcionamento de substâncias que ajudam as células nervosas a se comunicarem (neurotransmissores, como a serotonina, a dopamina e a noradrenalina).- A depressão é mais comum em parentes de primeiro grau de pessoas com depressão.
- Eventos emocionalmente angustiantes, especialmente os que envolvem uma perda
- Ser do sexo feminino- As alterações a nível hormonal podem causar alterações no humor um pouco antes da menstruação, durante a gravidez e depois do parto, aumentando possivelmente a probabilidade de vir a desenvolver depressão.
- Certa doenças físicas- As doenças físicas podem ser uma causa direta (por exemplo, quando uma doença da tireoide afeta os níveis hormonais ou quando a o vírus da imunodeficiência humana - VIH -, que provoca a SIDA, lesiona o cérebro) ou uma causa indireta (por exemplo, quando a artrite reumatoide provoca dor e incapacidade ou quando a SIDA causa um efeito geral negativo na vida do doente).
- Efeitos colaterais de certos medicamentos- Alguns betabloqueadores, usados para tratar a hipertensão arterial, podem causar depressão.- Os corticosteroides provocam depressão frequentemente quando o corpo produz em grandes quantidades no contexto de um transtorno.- Por vezes, a interrupção da administração de um medicamento pode causar depressão temporária.
POSSÍVEIS CONSEQUÊNCIAS

- Abuso de álcool e outras drogas- O indivíduo tem a necessidade de sentir alegria e de se desligar dos seus sentimentos causados pela depressão, o que pode levar ao abuso de álcool e outras substâncias. Esta é uma situação muito perigosa, pois pode levar à dependência química e à overdose.

- Suicídio
- Cerca de 15% das pessoas deprimidas não tratadas suicidam-se.
- O risco de suicídio é elevado quando:
- a depressão não é tratada adequadamente ou não é mesmo tratada;
- o tratamento inicia (o indivíduo torna-se mais ativo mental e fisicamente, mas ainda continua deprimido);
- o indivíduo alterna entre depressão e mania (transtorno bipolar);
- o indivíduo se sente muito ansioso;
- o indivíduo abusa de álcool ou outras drogas.
- Se um indivíduo tiver tentado cometer suicídio, a probabilidade de uma nova tentativa ocorrer é elevadíssima nas primeiras semanas a meses após a primeira tentativa.
TRATAMENTO
Geralmente, o tratamento para a depressão inclui remédios antidepressivos, sessões de psicoterapia com um psicólogo, eletroconvulsoterapia (ECT) e, para complementar, terapias alternativas e naturais (como atividades de lazer, passeios ao ar livre, ler ou meditação), de modo a aumentar o bem-estar e a sensação de prazer.
Também é recomendado o acompanhamento com um psiquiatra, já que é o médico especialista que pode melhor avaliar os sintomas e indicar as melhores alternativas.
OUTRAS DOENÇAS MENTAIS
- Transtorno Bipolar
- Transtorno de Personalidade Múltipla
- CLIQUE AQUI PARA TER ACESSO A UMA NOTÍCIA: "A mulher que criou 2 500 personalidades para sobreviver a abusos do próprio pai" - Esquizofrenia
- CLIQUE AQUI PARA TER ACESSO A UM RELATO DE UM INDIVÍDUO QUE SOFRE DE ESQUIZOFRENIA - Hipocondria
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- Distúrbios alimentares
- CLIQUE AQUI PARA TER ACESSO A UMA NOTÍCIA: "Como o confinamento se tornou um fator de risco para os distúrbios alimentares"

MITOS:

1. As doenças mentais são fruto da imaginação.
2. As doenças mentais não têm cura.
- Mesmo nas doenças mais graves, através de reabilitação, é possível controlar e reduzir os sintomas. Por isso, o tratamento deverá ser sempre procurado o mais precocemente possível, visto que a recuperação se tornará mais fácil.
3. As pessoas com problemas mentais são pouco inteligentes, preguiçosas, imprevisíveis ou perigosas.
4. Ter um transtorno mental é sinónimo de loucura e de fraqueza.
- Uma pessoa com um problema mental não é louca, apenas está doente e precisa de tratamento. As doenças mentais são bastante comuns, sendo que a maioria dos indivíduos que sofrem com estas perturbações continuam a viver as suas vidas normalmente.
- Um transtorno mental também não é um sinónimo de fraqueza, já que o mesmo pode resultar de uma predisposição genética, alterações clínicas e ambientais ao longo da infância, eventos stressantes atuais ou prévios e de alterações químicas cerebrais.
VERDADES:

1. Transtornos como a depressão e a ansiedade podem impedir uma pessoa de trabalhar.
- Estudos revelam que, atualmente, a depressão é a segunda causa mais comum de invalidez no mundo, apenas ficando atrás das dores nas costas.
- Todo o tipo de transtorno que interfere no humor e no comportamento pode interferir intensamente no desempenho e no resultado do trabalho, devido à dificuldade de concentração e de raciocínio.
2. Abusar de álcool e drogas pode causar transtornos mentais.
- O álcool e as drogas possuem substâncias que alteram o funcionamento do sistema nervoso central. Ou seja, dependendo da frequência, da quantidade e do histórico da pessoa, esse consumo pode se tornar crónico e desencadear a dependência química e transtornos mentais (por exemplo, depressão, transtorno bipolar de humor e esquizofrenia).

A pandemia de COVID-19 e o consequente confinamento irão deixar marcas em todos nós. Mas que marcas?
Um estudo realizado pela Mind - Instituto de Psicologia Clínica e Forense concluiu que 49,2% dos portugueses sentiu um impacto psicológico moderado a severo numa fase inicial da pandemia. Para além disso, concluiu que também foram afetados por problemas relacionados com depressão, ansiedade e stress.
A Ordem dos Psicólogos Portugueses divulgou um relatório que afirma que o bem-estar e a saúde mental dependem de um conjunto de fatores socioeconómicos. Por isso, aponta para impactos negativos, como a diminuição do bem-estar e o aumento do stress e de problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão, provocados pela crise socioeconómica. O relatório também indica que os fatores socioeconómicos que agravam a saúde mental em contexto de pandemia são o desemprego, a precariedade laboral, a perda de rendimento, a pobreza e a exclusão social.

O psiquiatra Vítor Cotovio diz que a sociedade está a viver "uma angústia existencial pandémica": "Traduz-se como, ou porque estou mais obsessivo com os rituais de limpeza, há pessoas que estão a fazer mais do que aquilo que é necessário porque são muito obsessivas, limpam mas acham que está sujo e tornam a limpar, e vão verificar e ficam angustiadas, ou ficam mais hipocondríacas, ou ficam com ataques de pânico perante a ameaça de rutura e de perder a vida, a sua ou dos seus. Ou ficam mais paranoicos, a olhar para o lado e a dizerem 'será que este me vai infetar' e, portanto, ficam mais desconfiadas".
Que impactos poderá ter a pandemia nas pessoas com perturbações mentais?
A pandemia pode acentuar muito os sintomas ou provocar recaídas aos indivíduos que sofrem ou sofreram de doenças mentais.
"Na clínica, eu estou a apanhar situações de pessoas que já não via há 10, 15 anos, porque estavam estabilizadas e agora voltaram às consultas pelo impacto da pandemia. Ou porque voltaram a ter ataques de pânico, ou porque voltaram a desorganizar-se em coisas depressivas, porque às tantas não sabem bem o que é que vai acontecer na vida delas", acrescentou.

LINHA SNS 24
Esta linha disponibiliza um Serviço de Apoio Psicológico e resulta de uma parceria entre os serviços partilhados do Ministério da Saúde, a Fundação Calouste Gulbenkian e a Ordem dos Psicólogos Portugueses.
CONTACTO: 808 24 24 24
DISPONIBILIDADE: 24h/dia
VIRAL(I)SOLIDARIEDADE
Rede de Apoio Psicológico da Sociedade Portuguesa de Psicanálise para a população em geral e para os profissionais de saúde.
CONTACTO: 300 051 920
DISPONIBILIDADE: de segunda-feira a domingo, das 8h00min às 24h00min
CENTRO DE APOIO PSICOLÓGICO E INTERVENÇÃO EM CRISE DO INEM
CONTACTO: 112
DISPONIBILIDADE: 24h/dia
LINHA CONVERSA AMIGA
Serviço de atendimento telefónico que presta apoio psicológico da Fundação INATEL aberto à população em geral.
CONTACTOS: 808 237 327 e 210 027 159
DISPONIBILIDADE: dias úteis - das 15h00min às 22h00min; fins de semana - das 19h00min às 22h00min.
ACALMA ONLINE
Plataforma acessível à população em geral lançada pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa para marcar e aceder, de forma gratuita, a uma consulta de psicologia por videochamada.
SITE: https://acalma.online/
LINHA DE APOIO PSICOLÓGICO - ESCUTATÓRIO
Linha de apoio psicológico da Fundação S. João de Deus, gratuito para a comunidade.
CONTACTOS: 96 707 2421, 92 410 1462 e 96 196 2818
DISPONIBILIDADE: dias úteis - das 10h00min às 12h30min e das 14h00min às 17h30min

https://www.adeb.pt/pages/o-que-e-a-saude-mental
https://www.dgs.pt/paginas-de-sistema/saude-de-a-a-z/programa-nacional-para-a-saude-mental/perguntas-e-respostas.aspx
https://www.planserv.ba.gov.br/dica-2-maio-a-importancia-de-cuidar-da-saude-mental/
https://blog.psicologiaviva.com.br/saudemental/
https://www.msdmanuals.com/pt-pt/casa
https://www.msdmanuals.com/pt-pt/profissional
https://hospitalsantamonica.com.br
https://www.tuasaude.com
https://www.vittude.com/?utm_source=Blog&utm_medium=Content&utm_content=button-header
https://www.cuf.pt/saude-a-z/ansiedade
https://sicnoticias.pt/especiais/saude-mental/2020-10-12-O-impacto-da-pandemia-na-saude-mental-dos-portugueses
https://www.iscte-iul.pt/conteudos/estudantes/acao-social/covid19apoios-informacoes/1800/apoio-psicologico-linhas-externas
